domingo, 31 de janeiro de 2010

O grão de café e a teoria do actor-rede no youtube

Link do vídeo no youtube sobre o Grão de Café e a Teoria do Actor-Rede.

Exercício prático na aula de "Organizações: questões de actualidade" - Mestrado em Sociologia, Universidade do Minho

Grupo de Trabalho: António Fernando Neto, Luís Sampaio, Maria Joana Salgado e Raquel Valente.

http://www.youtube.com/watch?v=H88Mqplqm04



Ver outros vídeos no Youtube com o mesmo objectivo.


http://www.youtube.com/watch?v=i25aGGrTJK8


http://www.youtube.com/watch?v=f2o-BLubvOg

sábado, 30 de janeiro de 2010

Vídeo acerca dos fogões referidos no teste

Estufas ahorradoras de leña.

Desarrollo Rural Comitán Chiapas México.

http://www.youtube.com/watch?v=5X6wztdhZcY


Nova data limite de entrega do Trabalho Prático: 6ª feira, 5 Fevereiro de 2010

Nova data limite de entrega do Trabalho Prático: 6ª feira, 5 Fevereiro de 2010

Nova data limite de entrega do TP:

Sexta-feira, dia 5 de Fevereiro de 2010

A enviar APENAS para este mail (jpneves2007@gmail.com) com a indicação no assunto da UC (TP de Organizações: questões aprofundadas), e os números dos alunos. No corpo do mail, deverão indicar o site (cuidado com a indicação do site) com o título do trabalho e os elementos do grupo (nºs e nomes completos).

O prazo limite de envio do trabalho será a noite de 6ª feira para sábado. Irei fazer a avaliação apenas a partir do dia de sábado.

As avaliações finais (parte teórica e prática) serão colocadas no blog na 2ª feira, dia 8 de Janeiro de 2009.

O exame de recurso será no dia 10 de Janeiro (a data, hora e local serão colocados neste blog na próxima semana)

domingo, 24 de janeiro de 2010

Exemplos de questões para o teste











Tecnologia tradicional de fogão a lenha


Texto base: O exemplo de um processo de inovação no México a partir do testemunho de uma consultora: o caso dos fogões que poupam lenha (apresentado na aula de 18 de Dezembro de 2009)

Contexto social

É importante contextualizar: o México é um país pouco desenvolvido e heterogéneo. Em certas zonas do Estado do México, situado no centro do país, onde a consultora trabalhou, existem muitos indígenas com poucos recursos financeiros.

Tecnologia anterior


Os fogões a lenha que as mulheres indígenas trabalham na cozinha funcionam como um só lugar. A cozinha serve de sala, dormitório, etc. Um fogão tradicional são três pedras e um ferro liso onde se cozinha. Por este fogão sai muito fumo afectando os pulmões e os olhos das famílias indígenas. A lenha, que estas mulheres utilizam, têm que ir buscá-la das árvores e florestas, implicando, nalguns casos, uma deslocação e o seu transporte aos ombros.

Descrição da nova tecnologia

Ver aqui a descrição da tecnologia dos novos fogões:



Problemática do projecto


A ONG apresentou novas formas para melhorar a vida destas pessoas de uma forma sustentável. Sugeriram novos fogões, inspirados numa experiência na Nicarágua, fechados ligados a um tubo por onde sai o fumo. Desta forma poupa-se 40 a 50 % de lenha. Em cada comunidade, usam-se materiais diferentes em função do eco-sistema. Portanto, a tecnologia adapta-se a estas situações e materiais específicos de cada comunidade. É importante dizer que este projecto se distingue de outros projectos dos EUA que querem implantar tecnologias de uma forma simplista.


Em 2004 criaram-se projectos para comunidades indígenas.


A consultora foi contratada para apoiar afase inicial de esclarecimento num projecto de uma ONG do México. Objectivo era, em várias aldeias indígenas, implementar um projecto de fogões ecológicos - estufas.

Ver aqui a descrição de um projecto semelhante em Chiapas, sul do México. "Estufas ahorradoras de leña. Desarrollo Rural Comitán, Chiapas, México". http://www.youtube.com/watch?v=5X6wztdhZcY



A ONG inspirou-se num modelo importado da Guatemala. Na reunião de esclarecimento numa das aldeias, com mulheres indígenas, em 2009, havia aproximadamente 20 participantes, das quais muitas não sabiam ao certo em que consistia o modelo de fazer novos fogões. Além disso, muitas não queriam modificar os seus fogões tradicionais, porque pensavam que ele era caro. Quando se explicou que estes novos fogões protegiam melhor as mulheres de doenças e do fumo e até da segurança, estas ficaram conscientes da importância de implementar este modelo.
Discutiu-se se a altura da base dos fogões era apropriada à estatura da maioria das mulheres e se eram feitos de materiais existentes nessa comunidade. Se nessa comunidade existiam pedras, as bases eram feitas de pedra, ou terra, areia ou cimento, ou seja, o material para construir a base dos fogões era adaptado de acordo com os materiais que a comunidade oferecia. Para fazer o fogão, parte exterior, utilizaram cimento, terra, areia. Na parte interior, utilizaram excremento de cavalo, cinza e água de milho, com isolamentos. O fogão deve ser resistente e na parte de dentro é importante que haja materiais isolantes para conservar o calor.


O fogão tem uma placa de metal inoxidável que é constituída por 3 bocas -pequena, média e grande - em que dentro de cada uma há 3 formas que se podem adaptar a várias coisas para cozinhar. Quando acabam de cozinhar, como a placa ainda está quente, aproveitam o calor para fazer tortilhas. A constituição dos fogões teve em conta certas opiniões dos indígenas. Por exemplo, a utilização de excremento de cavalo foi ideia dos indígenas. É importante referenciar que este projecto dos fogões foi negociado, houve um processo colectivo de partilha de informação. Foi necessário haver compromisso e comparticipação: os indígenas participavam com a mão-de-obra e pagavam uma certa quantia (de tipo quase simbólico). Apesar de haver dinheiro para fornecer ou dar estes fogões, o objectivo foi haver negociação e comparticipação por ambas as partes, de forma a poupar dinheiro para desta forma ajudar mais comunidades e implementar outras novas tecnologias. O compromisso é escrito e assinado. Dá-se formação às mulheres as quais ensinam o modelo a outras mulheres, o que faz passar informação para as outras pessoas e desta forma poupa-se dinheiro na formação. Quem não assume este compromisso, é retirado da rede. Utilizaram-se maioritariamente as mulheres porque os homens são mais resistentes às tecnologias, as mulheres são dotadas de mais capacidades de decisão pois trata-se do seu domínio na divisão doméstica do trabalho. Além disso, modifica a lógica masculina de poder. É um projecto que melhorou a auto estima das mulheres que participaram e diminuiu a diferenciação de géneros.
Conclusão
Este projecto ainda está numa fase inícial. Vejamos agora o que se sucedeu em outros projectos concluídos.

Outro exemplo que mostra como a rede se transforma

A entrevistada referiu um "problema" que surgiu num projecto igual. A consultora observou que, na fase final, os fogões não correspondiam ao modelo final previsto, pois os camponeses negociaram a tecnologia de acordo com os pressupostos, de acordo com o modelo anterior. Criaram fogões com mais entradas para lenha o que fez com que o fumo continuasse a sair. Duas hipóteses de interpretação: pode ter havido problemas de tradução da língua castelhana para língua da comunidade indígena; ou então houve uma tradução/negociação por parte dos indígenas. Os indígenas partem de uma concepção do mundo dita pré-científica: quanto mais lenha, mais calor então quanto mais entradas para meter lenha, mais calor. Mas esta interpretação embora coerente não coincide com a proposta pela ONG. A sua tecnologia associada à sua tradução economicista e científica não foi suficiente para convencer os indígenas a reproduzir os fogões como estava previsto no modelo.

Formas de inovação: visão economicista versus a ligada à noção de rede sócio-técnica

Existem essencialmente duas formas de inovação: uma forma mecânica de transportar tecnologia e pensar que basta transferir - é avisão determinista; na outra, adapta-se a tecnologia às situações. A tecnologia quando muda de contexto transforma-se. Quando se incorpora uma tecnologia tem que se estudar as experiências ou modelos que têm êxito para adaptar a uma realidade. Se não funcionar, tem que se dar um seguimento, tem que se continuar tentar um novo modelo até que funcione.

A diferença entre a visão do actor social e do investigador

A tendência dos actores é resolver os problemas de uma forma pragmática. Desta forma, não têm noção do processo de negociação. Um sociólogo consegue visualizar os problemas que existem em adaptar e a implementar as tecnologias".

Texto elaborado pela aluna Adriana Faria A52300

(revisto pelo docente em: 31 de Janeiro de 2010)

Questões para o teste:

1 - mostre, no caso do México, a importância da passagem da noção de social como domínio para a noção de social como ligação. Refira, de passagem, o texto de Bruno Latour discutido nas aulas.
Ver aqui o texto: Texto de Bruno Latour publicado na revista Configurações CICS Univ. Minho

2 - compare o exemplo de J. Law da rede da Nicarágua com o exemplo do México no que diz respeito aos processos de "tradução". Poderemos falar de uma transformação na rede no caso do México? Qual?
Texto: John Law, Traduction/Trahison - Notes on ANT (ver "Story one")http://cseweb.ucsd.edu/~goguen/courses/175/stslaw.html

3 - Imaginando que deveriam investigar este processo de inovação no México, e tendo em conta o caso do J. Law, qual seria a vossa questão de partida?
Texto: John Law, Traduction/Trahison - Notes on ANT (ver "Story one")http://cseweb.ucsd.edu/~goguen/courses/175/stslaw.html

sábado, 23 de janeiro de 2010

Teste e aula para esclarecimento de dúvidas

Dia do teste: 30 de Janeiro de 2010 das 1oh às 12.30 na sala 1.208.

Aula para esclarecimento de dúvidas no dia 27 de Janeiro de tarde - 18-19h no gabinete do professor, 1º andar do ICS.

Tradução do texto de John Law - "Traduction/Trahison: Notes On ANT"

Tradução do texto de John Law - "Traduction/Trahison: Notes On ANT"

John Law, Traduction/Trahison: Notes On ANT, in http://www.lancs.ac.uk/fass/sociology/papers/law-traduction-trahison.pdf , Lancaster, Department of Sociology, 1997

Neste texto, Law pretende responder a uma aparente contradição da teoria do actor-rede. Assumindo a sua teoria como uma tradução, como resolver o problema da fidelidade que atravessa o discurso científico acerca do social. A resposta passa por acentuar o carácter de tradução que atravessa a teoria social, colocando em causa o seu carácter de "representação" verdadeira.Para isso, debruça-se sobre três exemplos de estudos de caso que nos mostram, na prática, o rigor da teoria do actor-rede numa lógica quer de dispersão, quer de diáspora.

Primeiro estudo de caso

No primeiro caso, trata-se de um estudo sobre "transferência de tecnologia", realizada por uma ONG, entre a Suécia e a Nicarágua. A conclusão, um pouco paradoxal, sugere que "não existe essa coisa designada por 'transferência de tecnologia'. Que as tecnologias não surgem de um ponto e se espalham. Mas pelo contrário elas são passadas. Passam de mão em mão. E que quando passam, são transformadas. Tornam-se cada vez menos reconhecíveis" (Law, 1997: 2).

O processo consiste na transferência de uma máquina que permite aproveitar os resíduos da floresta para criar "briquettes". Uma investigadora descreve as negociações, as experiências.

A primeira negociação: que materiais de base [raw materials] utilizar? Depois de várias tentativas chega-se a uma conclusão: os restos das plantas do algodão [the stalks].

Na segunda ronda de negociações surgem dois novos actores: os proprietários das quintas e a peste do algodão. Os restos tinham de ser destruídos pelos proprietários por causa do perigo da peste. Mas, neste caso, era necessário recolher os restos. Ora, isso implicava trabalho e, talvez, uma nova máquina.

Terceira negociação: verifica-se que não existe mão-de-obra suficiente para recolher os restos. Como solução, importa-se uma máquina do Sudão que recolhe os restos do algodão.

Quarta: metade da planta está na raiz. Porque não aproveitar igualmente essas raízes para produzir "briquettes"? Uma nova máquina é construída a partir da versão sudanesa.

Quinta: a recolha só decorre 90 dias no ano, ao contrário do que sucede na Suécia em que nunca é interrompida. Será necessário armazenar os restos do algodão.

Sexta ronda de negociações. De repente, após dois anos de sucesso, os resíduos transformam-se em pó. O que teria acontecido? A razão é uma peste que ataca os restos. No entanto, uma dúvida se levanta: porque é que apenas no terceiro ano surge este problema. Resposta: as condições de armazenagem alteraram-se pois deixou de se compactar os restos o que permitiu a reprodução da peste - passou a existir ar entre os restos de algodão. A solução passou necessariamente por voltar a compactar.

Finalmente, a sétima negociação. Quem iria comprar os "briquettes"? Ao contrário da Suécia, não se encontravam indústrias que pudessem ser os consumidores deste produto. Contudo, encontrou-se um tipo de consumidor: os briquettes eram perfeitos PARA OS FORNOS DOMÉSTICOS. A partir daí, passaram a vender-se muito bem (Ibid.: 3).

J. Law, a partir deste caso, efectua alguns comentários.

Em primeiro lugar, este estudo integra-se perfeitamente na teoria do actor-rede. "Ela fala-nos de redes. De redes heterogéneas nas quais actores de todos os tipos, social, técnico e natural são feitos e jogam as suas vidas. Fala-nos de duas redes em particular, a sueca e a nicaraguense. Descreve estas duas redes e a forma como elas se ligam. Acentua o facto de as duas redes serem muito diferentes. A máquina de briquettes na Suécia relaciona-se com outras partes da rede sueca de uma forma determinada, mas isto não faz muito sentido em termos nicaraguenses. O que significa que, quando a máquina fosse "transferida", ela começaria a mudar. Ela começa a desempenhar diferentes papéis — mas também implica que os actores à volta se transformam: da madeira para o algodão; dos industriais para os "bakers" [padeiros]; de um fluxo contínuo para a necessidade de armazenar. Estas transformações implicaram mudanças na rede nicaraguense: nas fazendas; na maquinaria para lidar com os restos do algodão; nos hábitos dos consumidores. Portanto, trata-se de uma estória de redes em transformação, de novas sintaxes sócio-técnicas e, em particular, da inadequação de um modelo de difusão para a transferência de tecnologias. Porque a designada 'transferência" que aqui acontece é uma mudança. É uma translação. É uma criação de novas relações. Portanto, há mudança na Nicarágua, mas também há mudança naquilo que se transfere" (Ibid.: 3).

Esta descrição constitui um estudo exemplar no uso que faz da teoria do actor rede. Vejamos porquê.

Em primeiro lugar, trata-se de uma rede que assenta numa noção semiótica. Mas difere do estruturalismo porque não diz que a estrutura é algo assegurado à partida. Tanto as ligações como os nódulos terão de ser descobertos [uncovered] pois poderão ser diferentes daquilo que se espera.

Segundo: estamos perante redes heterogéneas compostas por elementos que são similares na sua relação com a rede: algodão ou agricultores, hábitos ou pestes, etc.

Terceiro lugar: todos estes actores quer os humanos, quer os não humanos são capazes de actuar.Quarto: as redes podem ser imaginadas semioticamente como "instruções": uma máquina precreve o papel que ela, máquina, espera que os outros elementos da rede desempenhem.Quinto: as redes e os nódulos necessitam de uma manutenção constante.Sexto: as redes são processos ou realizações [achievements] mais do que relações ou estruturas.Por fim, a translação/tradução é ao mesmo tempo similaridade e diferença. "Similaridade significa, aqui, que é possível dizer que a máquina "BRIQUETTE" na Nicarágua é "o mesmo" que a máquina "Briquette" na Suécia; mas também diferente porque quando passou a ser localizada no seu novo meio nicaraguense sofreu [has undergone] muitas mudanças" (Ibid.: 4).

Tradução de José Pinheiro Neves

Para o Trabalho Prático. O livro de estilo: como escrever entradas na wikipedia?

O livro de estilo: como escrever entradas na wikipedia?http://pt.wikipedia.org/wiki/Wikipedia:Livro_de_estilo

Para começar, ver este site onde se explica como colaborar na wikipedia:http://pt.wikipedia.org/wiki/Wikipedia:Boas-vindas

Coisas a não fazer na wikipedia:http://pt.wikipedia.org/wiki/Wikipedia:Coisas_a_não_fazer

No caso de terem dúvidas sobre a wikipedia podem usar este site de discussão:http://pt.wikipedia.org/wiki/Wikipedia:Esplanada
Devem escolher a opção novatos.

Entradas que não estão feitas (pode-se basear na edição inglesa):
Teoria da estruturação
http://pt.wikipedia.org/w/index.php?title=Teoria_da_estrutura%C3%A7%C3%A3o&action=edit&redlink=1
Teoria do ator-rede
http://pt.wikipedia.org/wiki/Teoria_ator-rede
Michel Callon
http://pt.wikipedia.org/w/index.php?title=Michel_Callon&action=edit&redlink=1
Actante
http://pt.wikipedia.org/w/index.php?title=Actante&action=edit&redlink=1

Aula de 23 de Janeiro de 2010

Aula de 23 de Janeiro de 2010


1. Apresentação dos Trabalhos Práticos.

2. Esclarecimento de dúvidas em relação ao tesde de 30 de janeiro de 2010

Aula de 16 de Janeiro de 2010

Aula de 16 de Janeiro de 2010

Foram apresentados exemplos de teste.

Esclarecimentos em relação ao Trabalho Prático.

domingo, 17 de janeiro de 2010

Textos para o trabalho prático

Podem obter os textos para o trabalho prático na Copyfilm (lista de Tecnologia, Ciência e Inovação).

sábado, 16 de janeiro de 2010

Exemplo de teste




Figura 1 - Tecnologia tradicional de fogão a lenha


O exemplo de um processo de inovação no México a partir do testemunho de uma consultora: o caso dos fogões que poupam lenha (apresentado na aula de 15 de Dezembro de 2009)


Contexto social


É importante contextualizar: o México é um país pouco desenvolvido e heterogéneo. Em certas zonas do Estado do México, situado no centro do país, onde a consultora trabalhou, existem muitos indígenas com poucos recursos financeiros.


Tecnologia anterior


Os fogões a lenha que as mulheres indígenas trabalham na cozinha funcionam como um só lugar. A cozinha serve de sala, dormitório, etc. Um fogão tradicional são três pedras e um ferro liso onde se cozinha. Por este fogão sai muito fumo afectando os pulmões e os olhos das famílias indígenas. A lenha, que estas mulheres utilizam, têm que ir buscá-la das árvores e florestas, implicando, nalguns casos, uma deslocação e o seu transporte aos ombros.


Descrição da nova tecnologia


Ver aqui a descrição da tecnologia dos novos fogões: http://www.youtube.com/watch?v=uG5fCYRLKbA
"Una estufa ahorradora de leña tiene las siguientes ventajas: disminuye el impacto ambiental de los bosques por su menor consumo, diluye el riesgo de enfermedades respiratorias, ahorra energía, aminora el riesgo de accidentes por causa de incendios y contribuye a mejorar los ingresos rurales al disminuir costos de recolección o compra de leña."
in
http://www.planetaazul.com.mx/www/2008/10/06/invierte-mexico-185-millones-de-pesos-para-estufas-ahorradoras-de-lena-para-habitantes-de-300-municipios-prioritarios/


Problemática do projecto


A ONG apresentou novas formas para melhorar a vida destas pessoas de uma forma sustentável. Sugeriram novos fogões, inspirados numa experiência na Nicarágua, fechados ligados a um tubo por onde sai o fumo. Desta forma poupa-se 40 a 50 % de lenha. Em cada comunidade, usam-se materiais diferentes em função do eco-sistema. Portanto, a tecnologia adapta-se a estas situações e materiais específicos de cada comunidade. É importante dizer que este projecto se distingue de outros projectos dos EUA que querem implantar tecnologias de uma forma simplista.


Em 2004, criaram-se projectos para comunidades indígenas. A consultora foi contratada para apoiar afase inicial de esclarecimento num projecto de uma ONG do México. Objectivo era, em várias aldeias indígenas, implementar um projecto de fogões ecológicos - estufas.


Ver aqui a descrição de um projecto semelhante em Chiapas, sul do México.


"Estufas ahorradoras de leña. Desarrollo Rural Comitán, Chiapas, México". http://www.youtube.com/watch?v=5X6wztdhZcY


A ONG inspirou-se num modelo importado da Guatemala. Na reunião de esclarecimento numa das aldeias, com mulheres indígenas, em 2009, havia aproximadamente 20 participantes, das quais muitas não sabiam ao certo em que consistia o modelo de fazer novos fogões. Além disso, muitas não queriam modificar os seus fogões tradicionais, porque pensavam que ele era caro. Quando se explicou que estes novos fogões protegiam melhor as mulheres de doenças e do fumo e até da segurança, estas ficaram conscientes da importância de implementar este modelo. Discutiu-se se a altura da base dos fogões era apropriada à estatura da maioria das mulheres e se eram feitos de materiais existentes nessa comunidade. Se nessa comunidade existiam pedras, as bases eram feitas de pedra, ou terra, areia ou cimento, ou seja, o material para construir a base dos fogões era adaptado de acordo com os materiais que a comunidade oferecia. Para fazer o fogão, parte exterior, utilizaram cimento, terra, areia. Na parte interior, utilizaram excremento de cavalo, cinza e água de milho, com isolamentos. O fogão deve ser resistente e na parte de dentro é importante que haja materiais isolantes para conservar o calor.


O fogão tem uma placa de metal inoxidável que é constituída por 3 bocas -pequena, média e grande - em que dentro de cada uma há 3 formas que se podem adaptar a várias coisas para cozinhar. Quando acabam de cozinhar, como a placa ainda está quente, aproveitam o calor para fazer tortilhas. A constituição dos fogões teve em conta certas opiniões dos indígenas. Por exemplo, a utilização de excremento de cavalo foi ideia dos indígenas.


É importante referenciar que este projecto dos fogões foi negociado, houve um processo colectivo de partilha de informação. Foi necessário haver compromisso e comparticipação: os indígenas participavam com a mão-de-obra e pagavam uma certa quantia (de tipo quase simbólico). Apesar de haver dinheiro para fornecer ou dar estes fogões, o objectivo foi haver negociação e comparticipação por ambas as partes, de forma a poupar dinheiro para desta forma ajudar mais comunidades e implementar outras novas tecnologias. O compromisso é escrito e assinado.


Dá-se formação às mulheres as quais ensinam o modelo a outras mulheres, o que faz passar informação para as outras pessoas e desta forma poupa-se dinheiro na formação. Quem não assume este compromisso, é retirado da rede.


Utilizaram-se maioritariamente as mulheres porque os homens são mais resistentes às tecnologias, as mulheres são dotadas de mais capacidades de decisão pois trata-se do seu domínio na divisão doméstica do trabalho. Além disso, modifica a lógica masculina de poder. É um projecto que melhorou a auto estima das mulheres que participaram e diminuiu a diferenciação de géneros.


Conclusão


Este projecto ainda está numa fase inícial. Vejamos agora o que se sucedeu em outros projectos concluídos.
Outro exemplo que mostra como a rede se transforma
A entrevistada referiu um "problema" que surgiu num projecto igual. A consultora observou que, na fase final, os fogões não correspondiam ao modelo final previsto, pois os camponeses negociaram a tecnologia de acordo com os pressupostos, de acordo com o modelo anterior. Criaram fogões com mais entradas para lenha o que fez com que o fumo continuasse a sair. Duas hipóteses de interpretação: pode ter havido problemas de tradução da língua castelhana para língua da comunidade indígena; ou então houve uma tradução/negociação por parte dos indígenas. Os indígenas partem de uma concepção do mundo dita pré-científica: quanto mais lenha, mais calor então quanto mais entradas para meter lenha, mais calor. Mas esta interpretação embora coerente não coincide com a proposta pela ONG. A sua tecnologia associada à sua tradução economicista e científica não foi suficiente para convencer os indígenas a reproduzir os fogões como estava previsto no modelo.
Formas de inovação: visão economicista versus a ligada à noção de rede sócio-técnica
Existem essencialmente duas formas de inovação: uma forma mecânica de transportar tecnologia e pensar que basta transferir - é avisão determinista; na outra, adapta-se a tecnologia às situações. A tecnologia quando muda de contexto transforma-se. Quando se incorpora uma tecnologia tem que se estudar as experiências ou modelos que têm êxito para adaptar a uma realidade. Se não funcionar, tem que se dar um seguimento, tem que se continuar tentar um novo modelo até que funcione.
A diferença entre a visão do actor social e do investigador
A tendência dos actores é resolver os problemas de uma forma pragmática. Desta forma, não têm noção do processo de negociação. Um sociólogo consegue visualizar os problemas que existem em adaptar e a implementar as tecnologias".
Texto elaborado pela aluna Adriana Faria A52300 (revisto pelo docente em: 31 de Janeiro de 2010)



Questões para o teste:

1 - mostre, no caso do México, a importância da passagem da noção de social como domínio para a noção de social como ligação. Refira, de passagem, o texto de Bruno Latour discutido nas aulas.
Ver aqui o texto: Texto de Bruno Latour publicado na revista Configurações CICS Univ. Minho
http://www.scribd.com/doc/4414325/Bruno-Latour-

2 - compare o exemplo de J. Law da rede da Nicarágua com o exemplo do México no que diz respeito aos processos de "tradução". Poderemos falar de uma transformação na rede no caso do México? Qual?
Texto: John Law, Traduction/Trahison - Notes on ANT (ver "Story one")
http://cseweb.ucsd.edu/~goguen/courses/175/stslaw.html



3 - Imaginando que deveriam investigar este processo de inovação no México, e tendo em conta o caso do J. Law, qual seria a vossa questão de partida?
Texto: John Law, Traduction/Trahison - Notes on ANT (ver "Story one")
http://cseweb.ucsd.edu/~goguen/courses/175/stslaw.html

Exame de recurso - 10 de Fevereiro de 2010

10 de fevereiro - 4ª feira (hora e sala a definir)