sexta-feira, 10 de dezembro de 2010

Como escrever no trabalho prático?

Como escrever no trabalho prático? 

Uma sugestão da wikipedia. A ler com atenção.

"Conceber, criar e desenvolver um bom artigo são actividades que trazem uma grande satisfação, especialmente se o artigo vier a ser considerado um dos melhores artigos da Wikipédia! Contudo, para que um artigo possa atingir um nível elevado é necessário muito trabalho.
O objectivo desta página é oferecer algumas ideias que podem ajudar a tornar mais fácil a escrita de um artigo de qualidade."

sábado, 27 de novembro de 2010

A propósito da aula de 25 de Novembro e da comunicação tóxica em Bateson

Até certo ponto, a relação de comunicação tóxica do "duplo vínculo" (Bateson) tem por detrás uma atitude de não-dádiva. Contudo, essa violência é rara nas sociedades "pré-modernas". Ao entrar na manipulação, estou a separar-me da coerência de uma ligação "amorosa", da uma troca pura que, em parte, caracteriza essas sociedades.


Inspirado numa sugestão surgida num debate das aulas de Mestrado de Sociologia da Universidade do Minho (aluna Marina), vamos ler o que nos diz Marcel Mauss no seu ensaio sobre a dádiva. Nesse texto, Marcel Mauss inspira-se nas "sociedades não ocidentais" - uma forma civilizacional que ainda emerge na sociedade actual nos fragmentos não captados pela racionalização referida por Max Weber.

A atitude de hospedagem, de receber o outro, tem algo de "dádiva".

"Ao receber alguém estou me fazendo anfitrião, mas também crio, teórica e conceptualmente, a possibilidade de vir a ser hóspede deste que hoje é meu hóspede. A mesma troca que me faz anfitrião, faz-me também um hóspede potencial. Isto ocorre porque “dar e receber” implica não só uma troca material mas também uma troca espiritual, uma comunicação entre almas. É nesse sentido que a Antropologia de Mauss é uma sociologia do símbolo, dacomunicação; é ainda nesse sentido ontológico que toda troca pressupõe, em maior ou menor grau, certa alienabilidade. Ao dar, dou sempre algo de mim mesmo. Ao aceitar, o recebedor aceita algo do doador. Ele deixa, ainda que momentaneamente, de ser um outro; a dádiva aproxima-os, torna-os semelhantes. A etnografia da troca dá ainda um novo sentido às etiquetas sociais. Por mais que estas variem, elas sempre reiteram que, para dar algo adequadamente, devo colocar-me um pouco no lugar do outro (por exemplo, de meu hóspede), entender, em maior ou menor grau, como este, recebendo algo de mim, recebe a mim mesmo (como seu anfitrião)."
(Marcos Lanna, "Nota sobre Marcel Mauss e o ensaio sobre a dádiva". Disponível em: http://www.scielo.br/pdf/rsocp/n14/a10n14.pdf [25 de Novembro de 2010])

A atitude agónica em relação ao outro tem contudo um aspecto complexo. Nem tudo é dádiva desinteressada.

"Mauss, escrevendo com Hubert o Ensaio sobre a natureza e função do sacrifício, já mostrara, em 1898, que “esta abnegação e essa submissão não deixam de ter um lado egoísta”. Para Mauss, a dádiva é um ato simultaneamente espontâneo e obrigatório. O estudo da dádiva permitiria à sociologia a superação relativa de dualidades profundas do pensamento ocidental, entre espontaneidade e obrigatoriedade, entre interesse e altruísmo, egoísmo e solidariedade, entre outra (3). Este ponto é importante porque a conclusão do Ensaio irá criticar a generalização da noção de interesse individual implícita na sociedade burguesa e no pensamento liberal, que irão opor radicalmente aquilo que a dádiva une" (Marcos Lanna, "Nota sobre Marcel Mauss e o ensaio sobre a dádiva".
Disponível em: http://www.scielo.br/pdf/rsocp/n14/a10n14.pdf [25 de Novembro de 2010])


Será que esta dádiva ainda predomina nas relações marcadas pela economia das trocas monetárias e mediadas pela mercadoria? Ou será que teremos de defender alternativas éticas, com uma dimensão necessariamente política, que apontam para uma misturade elementos pré-modernos com pós-modernos. Uma nova forma de socialidade tribal? A resposta do Nobel da Economia de 1998,  o indiano Amartya Kumar Sen, aponta nesse sentido.

"Um dos representantes do pensamento liberal no Brasil, Delfim Netto (1999), notou recentemente que tal preocupação em propor alternativas à ética do mercado valeu o Prêmio Nobel de Economia de 1998 ao indiano Amartya Kumar Sen (4). Talvez até porque conhece “por dentro” uma “civilização da dádiva”, como a indiana, pôde Sen reconhecer que o desejo egoísta do lucro não só é incapaz de fundar qualquer sociedade, mas tende, justo ao contrário, a inviabilizá-las".(Marcos Lanna, "Nota sobre Marcel Mauss e o ensaio sobre a dádiva".
Disponível em: http://www.scielo.br/pdf/rsocp/n14/a10n14.pdf [25 de Novembro de 2010])



O acto da dádiva (o agon de que fala Michel Foucault) deve ser contextualizado. Na verdade, a sociedade de troca monetária produz algo que não é natural, propicia até certo ponto o terreno fértil para o abuso, a manipulação, a comunicação tóxica, ambivalente. O bullying, mobbing, stalking, etc. Em certa medida, o neo-liberalismo não é um excesso, um defeito mas a culminação de um longo caminho (um descaminho) civilizacional.

Estamos perante um naufrágio de que não somos meros espectadores como pretende "a posicão apathos do sábio que o torna espectador - homem da "Theoria" - e, em consequência, em fonte de ordem frente ao "mar" das paixões que arrastam o homem no movimento de conjunto de sua história natural, como afirmava Walter Benjamin e que enquanto natural é sempre a narração da morte do humano, e talvez a instituição da narração como anteparo contra a morte" (José Bragança de Miranda, "Apresentação de Hans Blumenberg", in Hans Blumenberg, Naufrágio com espectador, Lisboa, Vega, 1990, p. 13)

Para reflectir...


Marcos Lanna, "Nota sobre Marcel Mauss e o ensaio sobre a dádiva".
Disponível em:
http://www.scielo.br/pdf/rsocp/n14/a10n14.pdf [25 de Novembro de 2010]

sexta-feira, 26 de novembro de 2010

Aula de 25 de Novembro de 2010 - A teoria do "double bind" (duplo vínculo) de Bateson

Ler este texto de apoio à aula de 25 de Novembro de 2010


"Teorias da Comunicação - Double bind
Axiomas da pragmática da comunicação humana (Mental Research Institute, Palo Alto):
• Não se pode não comunicar

• Toda comunicação tem um aspecto de conteúdo e um aspecto de comunicação tais que o segundo classifica e o primeiro é portanto uma metacomunicação

Metacomunicação: comunicação que indica como a informação verbal deve ser interpretada; estímulos ao redor da comunicação verbal que também possuem significado

• A natureza de uma relação está na contingência da pontuação das sequências comunicacionais entre os comunicantes

• Os indivíduos comunicam-se digital e analogicamente. A linguagem digital é uma sintaxe lógica sumamente complexa e poderosa, mas carente de adequada semânitca no campo das relações, ao passo que a linguagem analógica possui a semântica mas não tem uma sintaxe adequada para a definição não ambígua da natureza das relações

• Todas as permutas comunicacionais são simétricas ou complementares, segundo se baseiam na igualdade ou na diferença
Linguagem analógica – linguagem não verbal

“Double bind”

Paradoxos pragmáticos – G. Bateson et al., 1956

Forte reação complementar

Instrução que tem que ser obedecida e desobedecida para que seja obedecida

Impossibilidade de auto-comunicar

Ex: pai fala “Não seja tão obediente”. O filho pode obedecer desobedecendo ou ser obediente contrariando o pai. É um paradoxo pragmático. Todos estamos sujeitos a double blind (governo versus cidadãos, etc).
É possível que esquizofrênicos apresentam maior dificuldade em metacomunicar e fiquem mais presos aos double blind.
A diferença entre a relação terapêutica e patológica é que a primeira possibilita que o indivíduo metacomunique.
Um double bind é um dilema em comunicação no qual um indivíduo (ou grupo) receve duas ou mais mensagens conflitantes, com uma a negar a outra. Isso cria uma situação na qual a resposta necessária a uma resposta resulta em falha a responder a outra, deixando o indivíduo a errar, seja qual for sua resposta. A natureza do double bin é que a pessoa não pode confrontar o dilema inerente e fica impossibilitada de comentar tanto de comentar, resolver ou sair do conflito.
Um double bind geralmente inclui diferentes níveis de abstração em ordem de messagens e estas podem ser passadas em voz alta ou pelo tom de voz ou linguagem corporal. Tipicamente a demanda é imposta sobre a vítima por alguém de respeito na relação (um dos pais, um professor, o médico) mas esta demanda é impossível de ser cumprida, já que um contexto maior a proíbe. Um exemplo: quando uma pessoa de autoridade impõe duas condições contraditórias mas existe uma regra não falada de que autoridade nunca deve ser questionada.

Bateson e Col definiram o double bind como:

Uma situação que envolve duas ou mais pessoas, uma das quais (para propósitos de definição) é designada "vítima". Os demais são pessoas que podem ser consideradas superiores da vítima: figuras de autoridade, os quais a vítima respeita.

Experiência repetida: o double bind é um tema recorrente na experiência da vítima, e como tal, não pode ser resolvido como uma única experiência traumática.

Um "comando primário" (primary injunction) é imposto à vítima por outros sob uma das duas formas:

Faça X ou vou puní-lo

Não faça X, ou vou puní-lo

(ou ambos - 1 e 2) A punição é assumida como sendo ou a retirada do amor, a expressão de ódio e raiva ou o abandono, resultando da expressão de falta de ajuda da figura de autoridade.

Um "comando secundário" (secondary injunction) é imposto à vítimia, que entra em conflito com o primeiro em um nível mais alto e mais abstrato. Por exemplo: "Você não deve fazer X, mas somente faça se você realmente quiser". Não é necessário que este comando seja expresso verbalmente.

Se necessário, um "comando terciário" (tertiary injunction) é imposto à vítima, para prevenir que ela escape do dilema.

Por fim, Bateson relata que a completa lista de requerimentos pode não ser necessária quando a vítima já vê seu mundo em padrões de double bind. As características de tal relacionamento são:



Quando a vítima está envolvida em um intenso relacionamento, isto é, um relacionamento o qual ela sente que é de importância vital que ela discrimine de forma acurada que tipo de mensagem está a ser comunicada para que responda apropriadamente

E a vítima se vê numa situação na qual a outra pessoa no relacionamento está a expressar duas ordens de mensagens, uma das quais nega a outra;

E a vítima é incapaz de comentar as mensagens que estão sendo expressas para corrigir seu entendimento de qual mensagem responder; isto é, ela não pode fazer uma afirmação metacomunicativo.

Para que um double bind seja efetivo, a vítima não deve ser capaz de confrontá-lo ou resolver o conflito entre a demanda exigida pelo comando primário e o comando secundário. Desta forma, o double bind se diferencia de uma simples contradição para um conflito interno mais inexpressível, no qual a vítima realmente quer cumprir a demanda do comando primário, mas falha todas as vezes por uma inabilidade de avaliar a imcompatibilidade da situação com as demandas do comando secundário. Assim, a vítima pode expressar sentimentos de extrema ansiedade nesta situação.



Conflitos em comunicação são comuns e constantemente nós perguntamos "O que você quis dizer?" ou buscamos clarificação de outra forma. Isto é chamado de metacomunicação ou comunicação a cerca da comunicação.



Exemplos clássicos:



Uma mãe que diz a seu filho que o ama, enquanto vira seu corpo ou rosto para o outro lado, com nojo. As palavras são socialmente aceitáveis, mas a linguagem corporal está em conflito. Crianças pequenas têm dificuldades em articular contradições verbalmente e não podem ignorá-las ou abandonar o relacionamento com a mãe.

Outro exemplo é o comando "seja espontâneo". O próprio comando contradiz espontaneidade, mas ele só se torna um double bind quando um não pode o ignorar ou comentar a contradição.



Bateson também descreve double binds positivos: no Zen Budismo, no caminho para o crescimento espiritual e o uso terapêutico de double binds por psiquiatras, quando confrontam seus pacientes com contradições presentes em suas vidas, para ajudá-los a sair desta situação.



Esquizofrenia



No caso específico da esquizofrenia, muitos pensam que Bateson propôs que double binds podem causar esquizofrenia. Uma leitura apropriada de seus textos, elucida que:



seus achados indicam que emaranhados na comunicação geralmente diagnosticados como esquizofrenia não resultam necessariamente de uma disfunção cerebral orgânica. Eles encontraram que double binds destrutivos são padrões de comunicação frequentes entre familiares de pacientes e propuseram que padrões perpétuos de double binds poderiam levar a padrões confusos de pensamento e comunicação.

Uma disfunção na programação cerebral, isto é, o aprendizado de um padrão disfuncional de pensar e a criação uma situação na qual a vítima não pode comentar ou realizar um comentário de metacomunicação sobre seu dilema poderia (em teoria) escalar a ansiedade e potencialmente causar uma crise.

Uma solução para o double bind consiste em colocar o dilema em um contexto ainda maior, através do aprendizado. Entretanto, no caso da esquizofrenia, o double bind é presente continuadamente e dentro do contexto familiar. Quando a criança está madura o suficiente para identificá-lo, este já foi internalizado e a criança fica impossibilitada de confrontá-lo.A solução seria um escape, em um mundo ou sistema delirante.

Exemplos de frases double bind:



A mãe diz a seu filho: "você deve me amar" - amor deve ser espontâneo.



Frase Zen: "Seja genuíno" e "Quem é você?" - quanto mais o estudante tenta apresentar seu verdadeiro self, mais falso soa.



"Você deve ser livre" - liberdade implica espontaneidade.



A mãe diz ao filho - "mostre aos seus primos como você brinca" - brincadeira deve ser espontâneo.



Mãe diz ao filho: "deixe sua irmã em paz!" quando o filho sabe que a irmã vai antagonizá-lo para que ele seja punido.



Referências:
Visser, M. (2003). Gregory Bateson on deutero-learning and double bind: A brief conceptual history Journal of the History of the Behavioral Sciences, 39 (3), 269-278 DOI: 10.1002/jhbs.10112
Arden M (1984). Infinite sets and double binds. The International journal of psycho-analysis, 65 ( Pt 4), 443-52 PMID: 6544755
Bateson, Gregory. "Toward a Theory of Schizophrenia," in Part III, Steps to an Ecology of Mind: Collected Essays in Anthropology, Psychiatry, Evolution, and Epistemology. University of Chicago Press, 1999, originally published, San Francisco: Chandler Pub. Co., 1972."

Vanessa Marsden, "Teorias da Comunicação - Double bind ", Disponível em: http://psiquiatriaetoxicodependencia.blogspot.com/2009/12/teorias-da-comunicacao-double-bind.html
(23 de Novembro de 2010)

quarta-feira, 10 de novembro de 2010

Password de acesso à BB

O código de activação de pré-inscrições da UC

Mestrado em Sociologia - Organizações e Trabalho (Pós-Laboral) MS07MS0705002660 Organizações: Questões da Actualidade

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textos das aulas dadas

Aulas dadas

14 de Outubro - Apresentação dos objectivos e das formas de avaliação.



21 de Outubro - Debate colectivo: "Como definir uma organização?". A visão da teoria da co-orientação. A Análise de Bruno Latour.

James R. Taylor, “Da tecnologia na organização à organização na tecnologia” in http://revcom.portcom.intercom.org.br/index.php/cs_um/article/viewDownloadInterstitial/4793/4506

https://dl-web.dropbox.com/get/aula1TaylorOrgQA21out10.pdf?w=9fb3708e

28 de Outubro - A questão das metáforas. As metáforas da cultura e do fluxo. A organização como espaço de prisão psíquica.

https://dl-web.dropbox.com/get/Aula2_OrgQA_Resumo_Morgan_Imagens21out10.pdf?w=55eece4e

https://dl-web.dropbox.com/get/aulaOrgQAMorganCultura28out10.pdf?w=3d379cb7

https://dl-web.dropbox.com/get/aulaOrgQAFluxoMorgan28ou10.pdf?w=17bdd9c7

4 de Novembro - A arte da análise organizacional. Exemplo prático.

terça-feira, 9 de novembro de 2010

Aulas - sumários

Aulas dadas


14 de Outubro - Apresentação dos objectivos e das formas de avaliação.

21 de Outubro - Debate colectivo: "Como definir uma organização?". A visão da teoria da co-orientação. A Análise de Bruno Latour.

28 de Outubro - A questão das metáforas. As metáforas da cultura e do fluxo. A organização como espaço de prisão psíquica.

4 de Novembro - A arte da análise organizacional. Exemplo prático.

Aulas previstas


Aulas para apresentação dos portefólios


11 de Novembro – As relações de Poder. A questão da assertividade.

Rui Folha e Gustavo Marques

18 de Novembro – As situações de conflito intra-organizacional. O “Acosso Laboral”: bullying, stalking e mobbing.Assédio Sexual e Moral.

Diana Fernandes, Andreia Castro e Ana Paula Santos

25 de Novembro – Gestão de conflitos e processos de negociação
Helena Ferreira e Marisa Ramoa

2 de Dezembro - A questão da comunicação a partir de E. Goffman e Gregory Bateson.

Pedro Cunha, Susana Magalhães e Cátia Pratas

9 de Dezembro - Novas formas de pensar a organização e a comunicação: a teoria da co-orientação. A teoria do "organizing de Karl Weick.

Marta Lopes e Elisabete Cunha


16 de Dezembro – teste

domingo, 7 de fevereiro de 2010

Avaliações

Ver aqui os resultados da avaliação:


* A avaliação da parte teórica inclui a assiduidade e participação nas aulas (5%).


Exame de recurso será na 4ª feira dia 10 de Fevereiro de 2010 pelas 14 horas

(duração 2 h e 30 minutos)

Complexo de Gualtar - complexo 3 - sala 204

terça-feira, 2 de fevereiro de 2010

Exame de Recurso

10-Fev 14H00 3204

10 de Fevereiro de 2010

14 horas (duração 2 h e 30 minutos)


sala: complexo 3 - 204

domingo, 31 de janeiro de 2010

O grão de café e a teoria do actor-rede no youtube

Link do vídeo no youtube sobre o Grão de Café e a Teoria do Actor-Rede.

Exercício prático na aula de "Organizações: questões de actualidade" - Mestrado em Sociologia, Universidade do Minho

Grupo de Trabalho: António Fernando Neto, Luís Sampaio, Maria Joana Salgado e Raquel Valente.

http://www.youtube.com/watch?v=H88Mqplqm04



Ver outros vídeos no Youtube com o mesmo objectivo.


http://www.youtube.com/watch?v=i25aGGrTJK8


http://www.youtube.com/watch?v=f2o-BLubvOg

sábado, 30 de janeiro de 2010

Vídeo acerca dos fogões referidos no teste

Estufas ahorradoras de leña.

Desarrollo Rural Comitán Chiapas México.

http://www.youtube.com/watch?v=5X6wztdhZcY


Nova data limite de entrega do Trabalho Prático: 6ª feira, 5 Fevereiro de 2010

Nova data limite de entrega do Trabalho Prático: 6ª feira, 5 Fevereiro de 2010

Nova data limite de entrega do TP:

Sexta-feira, dia 5 de Fevereiro de 2010

A enviar APENAS para este mail (jpneves2007@gmail.com) com a indicação no assunto da UC (TP de Organizações: questões aprofundadas), e os números dos alunos. No corpo do mail, deverão indicar o site (cuidado com a indicação do site) com o título do trabalho e os elementos do grupo (nºs e nomes completos).

O prazo limite de envio do trabalho será a noite de 6ª feira para sábado. Irei fazer a avaliação apenas a partir do dia de sábado.

As avaliações finais (parte teórica e prática) serão colocadas no blog na 2ª feira, dia 8 de Janeiro de 2009.

O exame de recurso será no dia 10 de Janeiro (a data, hora e local serão colocados neste blog na próxima semana)

domingo, 24 de janeiro de 2010

Exemplos de questões para o teste











Tecnologia tradicional de fogão a lenha


Texto base: O exemplo de um processo de inovação no México a partir do testemunho de uma consultora: o caso dos fogões que poupam lenha (apresentado na aula de 18 de Dezembro de 2009)

Contexto social

É importante contextualizar: o México é um país pouco desenvolvido e heterogéneo. Em certas zonas do Estado do México, situado no centro do país, onde a consultora trabalhou, existem muitos indígenas com poucos recursos financeiros.

Tecnologia anterior


Os fogões a lenha que as mulheres indígenas trabalham na cozinha funcionam como um só lugar. A cozinha serve de sala, dormitório, etc. Um fogão tradicional são três pedras e um ferro liso onde se cozinha. Por este fogão sai muito fumo afectando os pulmões e os olhos das famílias indígenas. A lenha, que estas mulheres utilizam, têm que ir buscá-la das árvores e florestas, implicando, nalguns casos, uma deslocação e o seu transporte aos ombros.

Descrição da nova tecnologia

Ver aqui a descrição da tecnologia dos novos fogões:



Problemática do projecto


A ONG apresentou novas formas para melhorar a vida destas pessoas de uma forma sustentável. Sugeriram novos fogões, inspirados numa experiência na Nicarágua, fechados ligados a um tubo por onde sai o fumo. Desta forma poupa-se 40 a 50 % de lenha. Em cada comunidade, usam-se materiais diferentes em função do eco-sistema. Portanto, a tecnologia adapta-se a estas situações e materiais específicos de cada comunidade. É importante dizer que este projecto se distingue de outros projectos dos EUA que querem implantar tecnologias de uma forma simplista.


Em 2004 criaram-se projectos para comunidades indígenas.


A consultora foi contratada para apoiar afase inicial de esclarecimento num projecto de uma ONG do México. Objectivo era, em várias aldeias indígenas, implementar um projecto de fogões ecológicos - estufas.

Ver aqui a descrição de um projecto semelhante em Chiapas, sul do México. "Estufas ahorradoras de leña. Desarrollo Rural Comitán, Chiapas, México". http://www.youtube.com/watch?v=5X6wztdhZcY



A ONG inspirou-se num modelo importado da Guatemala. Na reunião de esclarecimento numa das aldeias, com mulheres indígenas, em 2009, havia aproximadamente 20 participantes, das quais muitas não sabiam ao certo em que consistia o modelo de fazer novos fogões. Além disso, muitas não queriam modificar os seus fogões tradicionais, porque pensavam que ele era caro. Quando se explicou que estes novos fogões protegiam melhor as mulheres de doenças e do fumo e até da segurança, estas ficaram conscientes da importância de implementar este modelo.
Discutiu-se se a altura da base dos fogões era apropriada à estatura da maioria das mulheres e se eram feitos de materiais existentes nessa comunidade. Se nessa comunidade existiam pedras, as bases eram feitas de pedra, ou terra, areia ou cimento, ou seja, o material para construir a base dos fogões era adaptado de acordo com os materiais que a comunidade oferecia. Para fazer o fogão, parte exterior, utilizaram cimento, terra, areia. Na parte interior, utilizaram excremento de cavalo, cinza e água de milho, com isolamentos. O fogão deve ser resistente e na parte de dentro é importante que haja materiais isolantes para conservar o calor.


O fogão tem uma placa de metal inoxidável que é constituída por 3 bocas -pequena, média e grande - em que dentro de cada uma há 3 formas que se podem adaptar a várias coisas para cozinhar. Quando acabam de cozinhar, como a placa ainda está quente, aproveitam o calor para fazer tortilhas. A constituição dos fogões teve em conta certas opiniões dos indígenas. Por exemplo, a utilização de excremento de cavalo foi ideia dos indígenas. É importante referenciar que este projecto dos fogões foi negociado, houve um processo colectivo de partilha de informação. Foi necessário haver compromisso e comparticipação: os indígenas participavam com a mão-de-obra e pagavam uma certa quantia (de tipo quase simbólico). Apesar de haver dinheiro para fornecer ou dar estes fogões, o objectivo foi haver negociação e comparticipação por ambas as partes, de forma a poupar dinheiro para desta forma ajudar mais comunidades e implementar outras novas tecnologias. O compromisso é escrito e assinado. Dá-se formação às mulheres as quais ensinam o modelo a outras mulheres, o que faz passar informação para as outras pessoas e desta forma poupa-se dinheiro na formação. Quem não assume este compromisso, é retirado da rede. Utilizaram-se maioritariamente as mulheres porque os homens são mais resistentes às tecnologias, as mulheres são dotadas de mais capacidades de decisão pois trata-se do seu domínio na divisão doméstica do trabalho. Além disso, modifica a lógica masculina de poder. É um projecto que melhorou a auto estima das mulheres que participaram e diminuiu a diferenciação de géneros.
Conclusão
Este projecto ainda está numa fase inícial. Vejamos agora o que se sucedeu em outros projectos concluídos.

Outro exemplo que mostra como a rede se transforma

A entrevistada referiu um "problema" que surgiu num projecto igual. A consultora observou que, na fase final, os fogões não correspondiam ao modelo final previsto, pois os camponeses negociaram a tecnologia de acordo com os pressupostos, de acordo com o modelo anterior. Criaram fogões com mais entradas para lenha o que fez com que o fumo continuasse a sair. Duas hipóteses de interpretação: pode ter havido problemas de tradução da língua castelhana para língua da comunidade indígena; ou então houve uma tradução/negociação por parte dos indígenas. Os indígenas partem de uma concepção do mundo dita pré-científica: quanto mais lenha, mais calor então quanto mais entradas para meter lenha, mais calor. Mas esta interpretação embora coerente não coincide com a proposta pela ONG. A sua tecnologia associada à sua tradução economicista e científica não foi suficiente para convencer os indígenas a reproduzir os fogões como estava previsto no modelo.

Formas de inovação: visão economicista versus a ligada à noção de rede sócio-técnica

Existem essencialmente duas formas de inovação: uma forma mecânica de transportar tecnologia e pensar que basta transferir - é avisão determinista; na outra, adapta-se a tecnologia às situações. A tecnologia quando muda de contexto transforma-se. Quando se incorpora uma tecnologia tem que se estudar as experiências ou modelos que têm êxito para adaptar a uma realidade. Se não funcionar, tem que se dar um seguimento, tem que se continuar tentar um novo modelo até que funcione.

A diferença entre a visão do actor social e do investigador

A tendência dos actores é resolver os problemas de uma forma pragmática. Desta forma, não têm noção do processo de negociação. Um sociólogo consegue visualizar os problemas que existem em adaptar e a implementar as tecnologias".

Texto elaborado pela aluna Adriana Faria A52300

(revisto pelo docente em: 31 de Janeiro de 2010)

Questões para o teste:

1 - mostre, no caso do México, a importância da passagem da noção de social como domínio para a noção de social como ligação. Refira, de passagem, o texto de Bruno Latour discutido nas aulas.
Ver aqui o texto: Texto de Bruno Latour publicado na revista Configurações CICS Univ. Minho

2 - compare o exemplo de J. Law da rede da Nicarágua com o exemplo do México no que diz respeito aos processos de "tradução". Poderemos falar de uma transformação na rede no caso do México? Qual?
Texto: John Law, Traduction/Trahison - Notes on ANT (ver "Story one")http://cseweb.ucsd.edu/~goguen/courses/175/stslaw.html

3 - Imaginando que deveriam investigar este processo de inovação no México, e tendo em conta o caso do J. Law, qual seria a vossa questão de partida?
Texto: John Law, Traduction/Trahison - Notes on ANT (ver "Story one")http://cseweb.ucsd.edu/~goguen/courses/175/stslaw.html

sábado, 23 de janeiro de 2010

Teste e aula para esclarecimento de dúvidas

Dia do teste: 30 de Janeiro de 2010 das 1oh às 12.30 na sala 1.208.

Aula para esclarecimento de dúvidas no dia 27 de Janeiro de tarde - 18-19h no gabinete do professor, 1º andar do ICS.

Tradução do texto de John Law - "Traduction/Trahison: Notes On ANT"

Tradução do texto de John Law - "Traduction/Trahison: Notes On ANT"

John Law, Traduction/Trahison: Notes On ANT, in http://www.lancs.ac.uk/fass/sociology/papers/law-traduction-trahison.pdf , Lancaster, Department of Sociology, 1997

Neste texto, Law pretende responder a uma aparente contradição da teoria do actor-rede. Assumindo a sua teoria como uma tradução, como resolver o problema da fidelidade que atravessa o discurso científico acerca do social. A resposta passa por acentuar o carácter de tradução que atravessa a teoria social, colocando em causa o seu carácter de "representação" verdadeira.Para isso, debruça-se sobre três exemplos de estudos de caso que nos mostram, na prática, o rigor da teoria do actor-rede numa lógica quer de dispersão, quer de diáspora.

Primeiro estudo de caso

No primeiro caso, trata-se de um estudo sobre "transferência de tecnologia", realizada por uma ONG, entre a Suécia e a Nicarágua. A conclusão, um pouco paradoxal, sugere que "não existe essa coisa designada por 'transferência de tecnologia'. Que as tecnologias não surgem de um ponto e se espalham. Mas pelo contrário elas são passadas. Passam de mão em mão. E que quando passam, são transformadas. Tornam-se cada vez menos reconhecíveis" (Law, 1997: 2).

O processo consiste na transferência de uma máquina que permite aproveitar os resíduos da floresta para criar "briquettes". Uma investigadora descreve as negociações, as experiências.

A primeira negociação: que materiais de base [raw materials] utilizar? Depois de várias tentativas chega-se a uma conclusão: os restos das plantas do algodão [the stalks].

Na segunda ronda de negociações surgem dois novos actores: os proprietários das quintas e a peste do algodão. Os restos tinham de ser destruídos pelos proprietários por causa do perigo da peste. Mas, neste caso, era necessário recolher os restos. Ora, isso implicava trabalho e, talvez, uma nova máquina.

Terceira negociação: verifica-se que não existe mão-de-obra suficiente para recolher os restos. Como solução, importa-se uma máquina do Sudão que recolhe os restos do algodão.

Quarta: metade da planta está na raiz. Porque não aproveitar igualmente essas raízes para produzir "briquettes"? Uma nova máquina é construída a partir da versão sudanesa.

Quinta: a recolha só decorre 90 dias no ano, ao contrário do que sucede na Suécia em que nunca é interrompida. Será necessário armazenar os restos do algodão.

Sexta ronda de negociações. De repente, após dois anos de sucesso, os resíduos transformam-se em pó. O que teria acontecido? A razão é uma peste que ataca os restos. No entanto, uma dúvida se levanta: porque é que apenas no terceiro ano surge este problema. Resposta: as condições de armazenagem alteraram-se pois deixou de se compactar os restos o que permitiu a reprodução da peste - passou a existir ar entre os restos de algodão. A solução passou necessariamente por voltar a compactar.

Finalmente, a sétima negociação. Quem iria comprar os "briquettes"? Ao contrário da Suécia, não se encontravam indústrias que pudessem ser os consumidores deste produto. Contudo, encontrou-se um tipo de consumidor: os briquettes eram perfeitos PARA OS FORNOS DOMÉSTICOS. A partir daí, passaram a vender-se muito bem (Ibid.: 3).

J. Law, a partir deste caso, efectua alguns comentários.

Em primeiro lugar, este estudo integra-se perfeitamente na teoria do actor-rede. "Ela fala-nos de redes. De redes heterogéneas nas quais actores de todos os tipos, social, técnico e natural são feitos e jogam as suas vidas. Fala-nos de duas redes em particular, a sueca e a nicaraguense. Descreve estas duas redes e a forma como elas se ligam. Acentua o facto de as duas redes serem muito diferentes. A máquina de briquettes na Suécia relaciona-se com outras partes da rede sueca de uma forma determinada, mas isto não faz muito sentido em termos nicaraguenses. O que significa que, quando a máquina fosse "transferida", ela começaria a mudar. Ela começa a desempenhar diferentes papéis — mas também implica que os actores à volta se transformam: da madeira para o algodão; dos industriais para os "bakers" [padeiros]; de um fluxo contínuo para a necessidade de armazenar. Estas transformações implicaram mudanças na rede nicaraguense: nas fazendas; na maquinaria para lidar com os restos do algodão; nos hábitos dos consumidores. Portanto, trata-se de uma estória de redes em transformação, de novas sintaxes sócio-técnicas e, em particular, da inadequação de um modelo de difusão para a transferência de tecnologias. Porque a designada 'transferência" que aqui acontece é uma mudança. É uma translação. É uma criação de novas relações. Portanto, há mudança na Nicarágua, mas também há mudança naquilo que se transfere" (Ibid.: 3).

Esta descrição constitui um estudo exemplar no uso que faz da teoria do actor rede. Vejamos porquê.

Em primeiro lugar, trata-se de uma rede que assenta numa noção semiótica. Mas difere do estruturalismo porque não diz que a estrutura é algo assegurado à partida. Tanto as ligações como os nódulos terão de ser descobertos [uncovered] pois poderão ser diferentes daquilo que se espera.

Segundo: estamos perante redes heterogéneas compostas por elementos que são similares na sua relação com a rede: algodão ou agricultores, hábitos ou pestes, etc.

Terceiro lugar: todos estes actores quer os humanos, quer os não humanos são capazes de actuar.Quarto: as redes podem ser imaginadas semioticamente como "instruções": uma máquina precreve o papel que ela, máquina, espera que os outros elementos da rede desempenhem.Quinto: as redes e os nódulos necessitam de uma manutenção constante.Sexto: as redes são processos ou realizações [achievements] mais do que relações ou estruturas.Por fim, a translação/tradução é ao mesmo tempo similaridade e diferença. "Similaridade significa, aqui, que é possível dizer que a máquina "BRIQUETTE" na Nicarágua é "o mesmo" que a máquina "Briquette" na Suécia; mas também diferente porque quando passou a ser localizada no seu novo meio nicaraguense sofreu [has undergone] muitas mudanças" (Ibid.: 4).

Tradução de José Pinheiro Neves

Para o Trabalho Prático. O livro de estilo: como escrever entradas na wikipedia?

O livro de estilo: como escrever entradas na wikipedia?http://pt.wikipedia.org/wiki/Wikipedia:Livro_de_estilo

Para começar, ver este site onde se explica como colaborar na wikipedia:http://pt.wikipedia.org/wiki/Wikipedia:Boas-vindas

Coisas a não fazer na wikipedia:http://pt.wikipedia.org/wiki/Wikipedia:Coisas_a_não_fazer

No caso de terem dúvidas sobre a wikipedia podem usar este site de discussão:http://pt.wikipedia.org/wiki/Wikipedia:Esplanada
Devem escolher a opção novatos.

Entradas que não estão feitas (pode-se basear na edição inglesa):
Teoria da estruturação
http://pt.wikipedia.org/w/index.php?title=Teoria_da_estrutura%C3%A7%C3%A3o&action=edit&redlink=1
Teoria do ator-rede
http://pt.wikipedia.org/wiki/Teoria_ator-rede
Michel Callon
http://pt.wikipedia.org/w/index.php?title=Michel_Callon&action=edit&redlink=1
Actante
http://pt.wikipedia.org/w/index.php?title=Actante&action=edit&redlink=1

Aula de 23 de Janeiro de 2010

Aula de 23 de Janeiro de 2010


1. Apresentação dos Trabalhos Práticos.

2. Esclarecimento de dúvidas em relação ao tesde de 30 de janeiro de 2010

Aula de 16 de Janeiro de 2010

Aula de 16 de Janeiro de 2010

Foram apresentados exemplos de teste.

Esclarecimentos em relação ao Trabalho Prático.

domingo, 17 de janeiro de 2010

Textos para o trabalho prático

Podem obter os textos para o trabalho prático na Copyfilm (lista de Tecnologia, Ciência e Inovação).

sábado, 16 de janeiro de 2010

Exemplo de teste




Figura 1 - Tecnologia tradicional de fogão a lenha


O exemplo de um processo de inovação no México a partir do testemunho de uma consultora: o caso dos fogões que poupam lenha (apresentado na aula de 15 de Dezembro de 2009)


Contexto social


É importante contextualizar: o México é um país pouco desenvolvido e heterogéneo. Em certas zonas do Estado do México, situado no centro do país, onde a consultora trabalhou, existem muitos indígenas com poucos recursos financeiros.


Tecnologia anterior


Os fogões a lenha que as mulheres indígenas trabalham na cozinha funcionam como um só lugar. A cozinha serve de sala, dormitório, etc. Um fogão tradicional são três pedras e um ferro liso onde se cozinha. Por este fogão sai muito fumo afectando os pulmões e os olhos das famílias indígenas. A lenha, que estas mulheres utilizam, têm que ir buscá-la das árvores e florestas, implicando, nalguns casos, uma deslocação e o seu transporte aos ombros.


Descrição da nova tecnologia


Ver aqui a descrição da tecnologia dos novos fogões: http://www.youtube.com/watch?v=uG5fCYRLKbA
"Una estufa ahorradora de leña tiene las siguientes ventajas: disminuye el impacto ambiental de los bosques por su menor consumo, diluye el riesgo de enfermedades respiratorias, ahorra energía, aminora el riesgo de accidentes por causa de incendios y contribuye a mejorar los ingresos rurales al disminuir costos de recolección o compra de leña."
in
http://www.planetaazul.com.mx/www/2008/10/06/invierte-mexico-185-millones-de-pesos-para-estufas-ahorradoras-de-lena-para-habitantes-de-300-municipios-prioritarios/


Problemática do projecto


A ONG apresentou novas formas para melhorar a vida destas pessoas de uma forma sustentável. Sugeriram novos fogões, inspirados numa experiência na Nicarágua, fechados ligados a um tubo por onde sai o fumo. Desta forma poupa-se 40 a 50 % de lenha. Em cada comunidade, usam-se materiais diferentes em função do eco-sistema. Portanto, a tecnologia adapta-se a estas situações e materiais específicos de cada comunidade. É importante dizer que este projecto se distingue de outros projectos dos EUA que querem implantar tecnologias de uma forma simplista.


Em 2004, criaram-se projectos para comunidades indígenas. A consultora foi contratada para apoiar afase inicial de esclarecimento num projecto de uma ONG do México. Objectivo era, em várias aldeias indígenas, implementar um projecto de fogões ecológicos - estufas.


Ver aqui a descrição de um projecto semelhante em Chiapas, sul do México.


"Estufas ahorradoras de leña. Desarrollo Rural Comitán, Chiapas, México". http://www.youtube.com/watch?v=5X6wztdhZcY


A ONG inspirou-se num modelo importado da Guatemala. Na reunião de esclarecimento numa das aldeias, com mulheres indígenas, em 2009, havia aproximadamente 20 participantes, das quais muitas não sabiam ao certo em que consistia o modelo de fazer novos fogões. Além disso, muitas não queriam modificar os seus fogões tradicionais, porque pensavam que ele era caro. Quando se explicou que estes novos fogões protegiam melhor as mulheres de doenças e do fumo e até da segurança, estas ficaram conscientes da importância de implementar este modelo. Discutiu-se se a altura da base dos fogões era apropriada à estatura da maioria das mulheres e se eram feitos de materiais existentes nessa comunidade. Se nessa comunidade existiam pedras, as bases eram feitas de pedra, ou terra, areia ou cimento, ou seja, o material para construir a base dos fogões era adaptado de acordo com os materiais que a comunidade oferecia. Para fazer o fogão, parte exterior, utilizaram cimento, terra, areia. Na parte interior, utilizaram excremento de cavalo, cinza e água de milho, com isolamentos. O fogão deve ser resistente e na parte de dentro é importante que haja materiais isolantes para conservar o calor.


O fogão tem uma placa de metal inoxidável que é constituída por 3 bocas -pequena, média e grande - em que dentro de cada uma há 3 formas que se podem adaptar a várias coisas para cozinhar. Quando acabam de cozinhar, como a placa ainda está quente, aproveitam o calor para fazer tortilhas. A constituição dos fogões teve em conta certas opiniões dos indígenas. Por exemplo, a utilização de excremento de cavalo foi ideia dos indígenas.


É importante referenciar que este projecto dos fogões foi negociado, houve um processo colectivo de partilha de informação. Foi necessário haver compromisso e comparticipação: os indígenas participavam com a mão-de-obra e pagavam uma certa quantia (de tipo quase simbólico). Apesar de haver dinheiro para fornecer ou dar estes fogões, o objectivo foi haver negociação e comparticipação por ambas as partes, de forma a poupar dinheiro para desta forma ajudar mais comunidades e implementar outras novas tecnologias. O compromisso é escrito e assinado.


Dá-se formação às mulheres as quais ensinam o modelo a outras mulheres, o que faz passar informação para as outras pessoas e desta forma poupa-se dinheiro na formação. Quem não assume este compromisso, é retirado da rede.


Utilizaram-se maioritariamente as mulheres porque os homens são mais resistentes às tecnologias, as mulheres são dotadas de mais capacidades de decisão pois trata-se do seu domínio na divisão doméstica do trabalho. Além disso, modifica a lógica masculina de poder. É um projecto que melhorou a auto estima das mulheres que participaram e diminuiu a diferenciação de géneros.


Conclusão


Este projecto ainda está numa fase inícial. Vejamos agora o que se sucedeu em outros projectos concluídos.
Outro exemplo que mostra como a rede se transforma
A entrevistada referiu um "problema" que surgiu num projecto igual. A consultora observou que, na fase final, os fogões não correspondiam ao modelo final previsto, pois os camponeses negociaram a tecnologia de acordo com os pressupostos, de acordo com o modelo anterior. Criaram fogões com mais entradas para lenha o que fez com que o fumo continuasse a sair. Duas hipóteses de interpretação: pode ter havido problemas de tradução da língua castelhana para língua da comunidade indígena; ou então houve uma tradução/negociação por parte dos indígenas. Os indígenas partem de uma concepção do mundo dita pré-científica: quanto mais lenha, mais calor então quanto mais entradas para meter lenha, mais calor. Mas esta interpretação embora coerente não coincide com a proposta pela ONG. A sua tecnologia associada à sua tradução economicista e científica não foi suficiente para convencer os indígenas a reproduzir os fogões como estava previsto no modelo.
Formas de inovação: visão economicista versus a ligada à noção de rede sócio-técnica
Existem essencialmente duas formas de inovação: uma forma mecânica de transportar tecnologia e pensar que basta transferir - é avisão determinista; na outra, adapta-se a tecnologia às situações. A tecnologia quando muda de contexto transforma-se. Quando se incorpora uma tecnologia tem que se estudar as experiências ou modelos que têm êxito para adaptar a uma realidade. Se não funcionar, tem que se dar um seguimento, tem que se continuar tentar um novo modelo até que funcione.
A diferença entre a visão do actor social e do investigador
A tendência dos actores é resolver os problemas de uma forma pragmática. Desta forma, não têm noção do processo de negociação. Um sociólogo consegue visualizar os problemas que existem em adaptar e a implementar as tecnologias".
Texto elaborado pela aluna Adriana Faria A52300 (revisto pelo docente em: 31 de Janeiro de 2010)



Questões para o teste:

1 - mostre, no caso do México, a importância da passagem da noção de social como domínio para a noção de social como ligação. Refira, de passagem, o texto de Bruno Latour discutido nas aulas.
Ver aqui o texto: Texto de Bruno Latour publicado na revista Configurações CICS Univ. Minho
http://www.scribd.com/doc/4414325/Bruno-Latour-

2 - compare o exemplo de J. Law da rede da Nicarágua com o exemplo do México no que diz respeito aos processos de "tradução". Poderemos falar de uma transformação na rede no caso do México? Qual?
Texto: John Law, Traduction/Trahison - Notes on ANT (ver "Story one")
http://cseweb.ucsd.edu/~goguen/courses/175/stslaw.html



3 - Imaginando que deveriam investigar este processo de inovação no México, e tendo em conta o caso do J. Law, qual seria a vossa questão de partida?
Texto: John Law, Traduction/Trahison - Notes on ANT (ver "Story one")
http://cseweb.ucsd.edu/~goguen/courses/175/stslaw.html

Exame de recurso - 10 de Fevereiro de 2010

10 de fevereiro - 4ª feira (hora e sala a definir)